terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Carta ao meu Filho

Meu anjo... sempre foste  um anjo para mim, por isso escolhi o teu nome... acabada de saber que ia ter o privilégio de ser Mãe de um Rapaz ouvi esta música e  ali ficou decidido o teu nome... e enquanto te preparavas para chegar a este mundo foste em muitos momentos difíceis o anjo que me dava força. Hoje que fazes 8 anos, e como todos os anos neste dia, passa por mim o filme do que foi o dia em que nos olhámos olhos nos olhos. Vieste para os meus braços e eu já te conhecia tão bem e tu tão pequenino conseguiste que eu apagasse os fantasmas que tinham ficado do nascimento da tua mana.
Em 8 anos descobri que ser mãe de um rapaz  é energia, é "reguilez", é desafiante, por vezes esgotante, é rir ( porque como tu uma vez disseste, nasceste para me fazer rir a mim e à tua irmã) e é sem dúvida, descobrir um ser com um coração enorme. Olho para ti e sei, sinto, que tens um coração  maior que o Mundo, porque sei que és capaz de acolher toda a gente dentro dele. És um anjo que gosta das pessoas, aceitas toda a gente e pensas nos outros e  meu filho, fica a saber que isso faz de ti um grande homem do alto dos teus 8 anos!
Tenho orgulho nos filhos que tenho, muito orgulho... já naufragamos e encontramos sempre o nosso porto salvo... somos um trio de força! E eu que já perdi tudo devo a vocês nunca ter perdido a minha fé... e agora que o nosso barco ancorou em lugar seguro sei que somos felizes... e deixámos de ser um trio e juntaram-se outros anjos à nossa história... hoje no dia em que fazes 8 anos disseste-me que adoraste o teu dia e isso para mim é ser feliz!
Podia ficar aqui horas porque o que está dentro do coração de uma Mãe é infinito e o meu amor... esse é teu eternamente e incondicionalmente...
amo-te ...my angel...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Carta à minha Filha...

Minha filha, contigo as palavras são sempre poucas… há amores que nos fazem perceber que o coração tem uma linguagem muito própria e que por mais palavras que tenham inventado ficam tão aquém do que existe entre uma mãe e seus filhos. Já me conheces e sabes que a tua mãe sente tudo com o coração e tu, nisso, sais a mim. 
Esse teu coração é muito maior que tu, és grande filha, na forma como te dás à Vida, a forma como te dedicas ao que gostas, a tua atitude com os que te rodeiam, a aluna que és, essa tua sensibilidade de sentires quando alguém que habita o teu coração sofre. És uma princesa delicada mas, também reconheço em ti uma força que só as guerreiras têm e tu, minha filhota, já sabes que a Vida não é fácil. O meu coração fica pequeno quando te falo nisto, porque como tua Mãe era o que menos queria, que aprendesses cedo que a Vida nos dá obstáculos que nos fazem crescer, mas dói, e todas as lágrimas que já te vi verter, todas elas,  caíram como pedras no meu coração. Pudesse eu te proteger de todo o sofrimento de uma Vida, mas sou apenas uma mulher e posso, e assim o farei todos os dias da minha Vida, amparar-te no teu choro, abraçar-te forte e ouvir-te.
Nem sempre sou o melhor exemplo. Tantas vezes te digo que não sei tudo, ninguém é perfeito. Não cresças a achar que tens de ser perfeita em tudo, ninguém o é. Guarda esta frase: são os nossos defeitos que nos tornam únicos. Lembras-te da história que te contei a ti e ao teu irmão? Quando vocês estiveram dentro da minha barriga escreveram o vosso nome no meu coração e levaram dentro do vosso coração um pedaço do meu. Uma parte de vocês é um bocadinho da vossa Mãe e isto é eterno.
Finalizaste um ciclo da tua vida e é um orgulho assistir ao teu crescimento enquanto pessoa. Sei que receias esta nova etapa, mas acredito em ti e sei que vais adaptar-te e irás vivê-la com empenho. Tu e o teu irmão fazem de mim uma Mãe Feliz!

domingo, 10 de julho de 2011

Carta às arrumações... daquelas profundas!



Esta carta anda para aqui a passear nos meus pensamentos há dias. É como quando andamos a preparar uma conversa no silêncio dos nossos pensamentos  até ao dia do frente a frente.
Hoje escrevo-te e ontem fiz-te!

Acordei de manhã na ânsia de que a noite tivesse levado com ela os acontecimentos dos últimos dias. Tal como um relâmpago em tempo de tempestade fui acordada pela dura realidade desarrumada da minha cabeça. Na impossibilidade de arrumar a minha cabeça resolvi optar por ti: uma arrumação profundo da minha casa.
Daquelas arrumações em que deitamos todo o lixo fora, aquelas coisinhas que guardamos não sabemos muito bem porquê... um dia pode dar jeito! e as recordações disto e daquilo, como se pudéssemos eternizar o passado em objectos ou como se o passar as mãos e os olhos pelas coisas que guardamos nos trouxesse de volta a felicidade de dias vividos, a esperança da juventude, ou o milagre de tudo o que foi sonhado se pudesse concretizar ao pegar naqueles objectos. Sei bem que não e o desapego das coisas cresceu em mim e decidi limpar a casa. deitei tudo o que era apegos despropositados e coisas desnecessárias fora.
Cada vez que pegava em sacos cheios e os levava para o lixo, o caminho era feito com uma sensação de alívio, sentia a casa a ficar leve.
No final do dia, cansada, olhei para a casa. Estava diferente, mais leve, com mais espaço, respirava-se melhor, os olhos ampliavam a limpeza até esta chegar ao meu coração.
Pois, o meu coração... esse continuava pequenino, atrofiado nas angústias, aquelas que não conseguimos deitar para o lixo. Respirei fundo, e sim o peso continuava cá, não cabia num saco do supermercado mais próximo. E a cabeça, essa continuava desarrumada, cheia de recordações e coisinhas que um dia descobrirei para que servem.
Mas não pensem que esta carta é para vos dizer que não serviram para nada. Pelo contrário, foi o primeiro passo de um caminho que não desisto de percorrer. A casa está arrumada, e eu estou, agora, preparada para a arrumação profunda do meu Eu.
Não dá para ser num dia. Há coisas que terei que arrumar, porque são lições que ficam para o futuro, há magoas que deitarei fora, inseguranças que vão directamente para o lixo, e medos que vou reciclar e transformar em força e vontade para Viver.

Para já gosto de entrar em casa e sentir-me acolhida nesta nova realidade que vou construir.

Com Alma.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Carta à Sorte, Azar, Destino ou lá o que seja...

Como? Como é possível? Quem foi que escreveu o argumento deste filme? Saído de uma imaginação Divina talvez! Há quem diga que já está tudo escrito e nós seguimos o caminho, género carneiros direitos ao seu destino pré-destinado. Nunca gostei muito da ideia de ser mais um no rebanho e portanto não é por aqui que encontro a explicação para a sucessão louca de acontecimentos que me fazem questionar que rumo é este que tomei.

Convencida das minhas decisões, tomo o meu Destino nas minhas mãos e claro que sigo por onde quero! Estava convencida disto e de muito mais acerca da minha capacidade de fazer da Vida o que acho melhor. Como uma ideia brilhante que surge e nos faz ver o panorama completo de uma situação, eu soube que estava a tomar uma decisão certeira, afinal eu tinha uma vista privilegiada. E com os olhos percorri toda a cena  e decidi!

Esqueci-me de um pequeno pormenor, os olhos só vêem o que a Alma alcança. E a minha Alma, sei-o tão bem, agora, está tolhida, cansada de decisões que são pagas tão caras... fui fechando os olhos à realidade e agora o que vejo tem o filtro da mágoa, da insegurança e do medo. Olho para mim e não me vejo, sei disso, e o mundo, esse, é visto à medida das minhas crenças e dos olhos perdidos de quem não acredita em si mesma. Achas que é severo o que te digo? Pois, deixa-me confessar que é muito mais implacável  sentir o mundo assim.

Se fui eu que te construí, então chamo-te azar. Construí um azar em que os erros se pagam a peso de muita lágrima, injustiça, um caminho em que a maldade e falta de carácter  ganham batalhas e sorriem da minha desgraça.

Se foste tu que construíste por mim, então chamo-te Destino. Destino atribulado este que me construíste. Um caminho que começou tão sozinho, perdida em mim, no silêncio acompanhado, será que me fadaste desde cedo este caminho que terei que percorrer sozinha até mim? Um caminho de um passo à frente e dois atrás.

Mas se a Vida é uma mistura daquilo que construímos e que constroem para nós, então chamo-te Sorte! Sim, assim, como estou: destroçada, magoada, desmoronada e de olhos inchados de tanto chorar. É nesta lástima que te chamo Sorte! Porque vou apanhar os cacos e reconstruir, porque cicatrizes são para mostrar com o orgulho de quem vive uma Vida cheia e porque mesmo quando acho que não tenho mais forças para aguentar nem mais uma dor, descubro que sou uma Guerreira. E, miúda teimosa que eu sou, acredito que um dia a felicidade vem para ficar. 


Com Alma.

domingo, 26 de junho de 2011

Carta ao Amor


Todos devíamos nascer do amor que dois seres sentem um pelo outro, mas nem todos somos filhos desse Amor. Por vezes, somos meramente um acontecimento único, um verdadeiro milagre da Vida e somos, sem sombra de dúvidas, filhos do Amor que temos à Vida!

A mim conheces-me bem, sou aquela que desde cedo amou-te e acolheu-te na Alma e no Corpo. Os meus cinco sentidos absorveram-te e deixei de lado a razão. Vejo, oiço, saboreio e sinto com o coração. E a Vida não achou piada a esta minha decisão e são muitos os dias em que me chama à razão. Em vão... digo-te que em vão! Porque é intrínseco em mim esta forma de Ser.


Porque insisto em Ser Amor? Simples... tão simples... pequenina na praia, mergulhei no frio do Mar, ao vir ao de cima o Sol aqueceu-me a face... foi a primeira vez que chorei de alegria e aprendi que as coisas simples são motivo que chegue para sorrir à Vida! E mesmo nas perdas, nas guerras que ainda insisto em combater, aceito a lição e Amo a mulher guerreira que em cada batalha construo.

Hoje, foi um dia que não foi dia,  foi batalha. Conheço bem estes dias e a razão gritou comigo e o desespero sacudiu-me e eu chorei... mas tu chegaste e limpaste-me as lágrimas e segredaste à minha Alma: olha para ti... é só mais uma batalha à medida da tua força... Fechei os olhos, respirei fundo, larguei o desespero e calei  a razão... Enchi-me de Amor e aqui estou!


Com Alma...

sábado, 25 de junho de 2011

Carta ao Tempo



Escrever-te é algo confuso... consegues ser ontem, hoje e amanhã, tão depressa desejo que voltasses atrás, como desejo que corras para a frente... momentos há em que queria que simplesmente parasses... aqueles momentos que não queremos que acabem... sabes daqueles momentos  que a nossa memória guardará na caixa das coisas que nos fazem lembrar porque a vida é um milagre... eu tenho já uma caixa bem cheia deles... verdade que TU, tens sido um bom professor, rigoroso com os meus erros mas grandioso nas lições.
A Alma que sou hoje, é sem dúvida, o viver de muitos dias, vividos com a intensidade que me é particular, alguns deitados fora, porque simplesmente sobrevivi a esses dias... sei que passas rápido e sei que é um desperdício dias em que simplesmente respiro, como se a Vida fosse apenas uma sucessão de inspirar, expirar. Dias há em que doi tanto tu passares, dias que duram anos e que quando acabam deixaram em nós marcas... e já não somos os mesmos... mas nada de arrependimentos... que esse Tempo também faz parte de ti... tempo de crescer!
Tens fama de que curas tudo... eu aprendi que curas algumas maleitas, mas outras há que quanto mais temos de ti, mais marcada fica a cicatriz... agora estás a pensar" mas será que nessas alturas não é tempo de crescer?" talvez... talvez haja momentos de tempo em que seremos eternamente uma criança que teima em não aprender a lição... Isto digo-te hoje... e hoje será ontem quando amanhã abrir os olhos... e sabes que por vezes perco-me em ti...
não posso acabar esta carta sem te confessar que te admiro... porque é percorrendo-te que caminhamos todos os dias... em frente... para trás e em direcção sabe-se lá ao quê! Tu nos dirás...

Com Alma...