domingo, 12 de maio de 2013

Carta a ti... novamente...

Entrámos naquele recanto do qual tenho tanto medo. O recanto em que ecoam gritos, acusações caladas demasiado tempo, ofensas de quem já nem se respeita, e como isto me doi.Soa a conhecido, soa a desespero,soa ao fim...
O fim. Não queria vê-lo chegar, mas pressenti a sua chegada, fui ignorando, talvez a esperança de que ele chegasse e partisse sem que deixasse marcas. Ingénua, na minha vida, o fim é sempre mais uma cicatriz. 
Confesso-te que acreditei que connosco ia ser diferente, que seríamos sempre amigos. Mais um desengano meu, uma vontade minha de não ver o que sempre foi claro. Ainda acreditava que o amor podia mudar as pessoas. Já não acredito. As pessoas são o que são. E nós sentimos e vivemos o amor de forma diferente. Tão simples. Tão fácil de perceber porque nós nunca poderíamos ser companheiros. Viajamos para destinos diferentes.
A dor. Inunda-me. É maior que eu. Deixei-me encolher ao longo dos meses. Esqueci-me de ser. A dor é assim, preenche o vazio que o desamor deixa. Sinto-a de uma forma quase metódica. É através da dor que sei que a mudança tem que ter lugar. A dor, minha aliada atenta, avisa-me que está na hora do fim.
A espera. Mais uma vez nada será como esperei. Este tempo de espera vai ser vivido neste recanto. E é triste que este seja o nosso fim...

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