sexta-feira, 15 de julho de 2011

Carta à minha Filha...

Minha filha, contigo as palavras são sempre poucas… há amores que nos fazem perceber que o coração tem uma linguagem muito própria e que por mais palavras que tenham inventado ficam tão aquém do que existe entre uma mãe e seus filhos. Já me conheces e sabes que a tua mãe sente tudo com o coração e tu, nisso, sais a mim. 
Esse teu coração é muito maior que tu, és grande filha, na forma como te dás à Vida, a forma como te dedicas ao que gostas, a tua atitude com os que te rodeiam, a aluna que és, essa tua sensibilidade de sentires quando alguém que habita o teu coração sofre. És uma princesa delicada mas, também reconheço em ti uma força que só as guerreiras têm e tu, minha filhota, já sabes que a Vida não é fácil. O meu coração fica pequeno quando te falo nisto, porque como tua Mãe era o que menos queria, que aprendesses cedo que a Vida nos dá obstáculos que nos fazem crescer, mas dói, e todas as lágrimas que já te vi verter, todas elas,  caíram como pedras no meu coração. Pudesse eu te proteger de todo o sofrimento de uma Vida, mas sou apenas uma mulher e posso, e assim o farei todos os dias da minha Vida, amparar-te no teu choro, abraçar-te forte e ouvir-te.
Nem sempre sou o melhor exemplo. Tantas vezes te digo que não sei tudo, ninguém é perfeito. Não cresças a achar que tens de ser perfeita em tudo, ninguém o é. Guarda esta frase: são os nossos defeitos que nos tornam únicos. Lembras-te da história que te contei a ti e ao teu irmão? Quando vocês estiveram dentro da minha barriga escreveram o vosso nome no meu coração e levaram dentro do vosso coração um pedaço do meu. Uma parte de vocês é um bocadinho da vossa Mãe e isto é eterno.
Finalizaste um ciclo da tua vida e é um orgulho assistir ao teu crescimento enquanto pessoa. Sei que receias esta nova etapa, mas acredito em ti e sei que vais adaptar-te e irás vivê-la com empenho. Tu e o teu irmão fazem de mim uma Mãe Feliz!

domingo, 10 de julho de 2011

Carta às arrumações... daquelas profundas!



Esta carta anda para aqui a passear nos meus pensamentos há dias. É como quando andamos a preparar uma conversa no silêncio dos nossos pensamentos  até ao dia do frente a frente.
Hoje escrevo-te e ontem fiz-te!

Acordei de manhã na ânsia de que a noite tivesse levado com ela os acontecimentos dos últimos dias. Tal como um relâmpago em tempo de tempestade fui acordada pela dura realidade desarrumada da minha cabeça. Na impossibilidade de arrumar a minha cabeça resolvi optar por ti: uma arrumação profundo da minha casa.
Daquelas arrumações em que deitamos todo o lixo fora, aquelas coisinhas que guardamos não sabemos muito bem porquê... um dia pode dar jeito! e as recordações disto e daquilo, como se pudéssemos eternizar o passado em objectos ou como se o passar as mãos e os olhos pelas coisas que guardamos nos trouxesse de volta a felicidade de dias vividos, a esperança da juventude, ou o milagre de tudo o que foi sonhado se pudesse concretizar ao pegar naqueles objectos. Sei bem que não e o desapego das coisas cresceu em mim e decidi limpar a casa. deitei tudo o que era apegos despropositados e coisas desnecessárias fora.
Cada vez que pegava em sacos cheios e os levava para o lixo, o caminho era feito com uma sensação de alívio, sentia a casa a ficar leve.
No final do dia, cansada, olhei para a casa. Estava diferente, mais leve, com mais espaço, respirava-se melhor, os olhos ampliavam a limpeza até esta chegar ao meu coração.
Pois, o meu coração... esse continuava pequenino, atrofiado nas angústias, aquelas que não conseguimos deitar para o lixo. Respirei fundo, e sim o peso continuava cá, não cabia num saco do supermercado mais próximo. E a cabeça, essa continuava desarrumada, cheia de recordações e coisinhas que um dia descobrirei para que servem.
Mas não pensem que esta carta é para vos dizer que não serviram para nada. Pelo contrário, foi o primeiro passo de um caminho que não desisto de percorrer. A casa está arrumada, e eu estou, agora, preparada para a arrumação profunda do meu Eu.
Não dá para ser num dia. Há coisas que terei que arrumar, porque são lições que ficam para o futuro, há magoas que deitarei fora, inseguranças que vão directamente para o lixo, e medos que vou reciclar e transformar em força e vontade para Viver.

Para já gosto de entrar em casa e sentir-me acolhida nesta nova realidade que vou construir.

Com Alma.